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Politização do STF é o mantra dos órfãos de Bolsonaro

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Não ouvi falar em politização do Supremo Tribunal Federal quando o presidente José Sarney, em 1986, emplacou ali como ministro seu assessor especial, o carioca Célio Borja. Bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Borja fora presidente da Câmara dos Deputados à época da ditadura militar de 64.

O general Ernesto Geisel, o terceiro presidente da ditadura, cogitou nomeá-lo ministro da Justiça, e só não o fez por temer que Borja propusesse logo uma abertura política. Em 1992, Borja foi ministro da Justiça do governo Fernando Collor, acompanhando sem interferir no processo de impeachment do presidente que o nomeara.

Não ouvi falar em politização do Supremo quando ali chegou em 1989, também por indicação de Sarney, o gaúcho Paulo Brossard, jurista respeitado, ex-deputado federal e ex-senador pelo MDB, partido que se opôs à ditadura. Brossard deixou o Ministério da Justiça do governo Sarney para ocupar uma vaga aberta no Supremo.

Não ouvi falar em politização do Supremo quando Brossard se aposentou e no seu lugar entrou o jurista mineiro Maurício Corrêa em 1994, nomeado pelo então presidente Itamar Franco, que sucedera a Collor. Filiado ao PSDB, ex-senador do Distrito Federal pelo PDT, Corrêa  era ministro da Justiça do governo Itamar, e seu amigo.

Não ouvi falar em politização do Supremo quando o presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997, nomeou para o tribunal o gaúcho Nelson Jobim, então ministro da Justiça do seu governo.  Jobim era bacharel em ciências jurídicas e sociais e fora deputado federal na Assembleia Nacional Constituinte pelo MDB.

Depois de se aposentar do Supremo, Jobim exerceu o cargo de ministro da Defesa do segundo governo Lula e de parte do primeiro governo de Dilma. Conviveu no Supremo com o ministro e comunista de carteirinha Eros Grau, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo, preso e torturado em 1972 pela ditadura militar.

Grau tinha um retrato de Karl Marx sobre sua mesa de trabalho e sempre o citava nos seus votos. Ninguém o chamava de comunista, embora fosse. Foi Lula que o nomeou em meados de 2004. Nem por isso se ouviu falar que ao fazê-lo, Lula tentava politizar o Supremo. Alegando cansaço, Grau aposentou-se cinco anos depois.

Não ouvi falar em politização da Justiça quando Sérgio Moro e seus colegas procuradores da Lava Jato juntaram-se para condenar e prender Lula a qualquer preço, de modo a impedi-lo de se candidatar a presidente da República em 2018. Assim, abriram caminho para a eleição de Bolsonaro, que fez de Moro seu ministro da Justiça.

Moro despiu a toga por acreditar na promessa de Bolsonaro de que à toga voltaria como ministro do Supremo. Mas seu destino foi o olho da rua por ser contra a politização da Polícia Federal, como Bolsonaro queria. Moro se elegeu senador e agora corre o risco de ser cassado. Ontem, foi visto abraçado com Flávio Dino, o novo ministro do Supremo.

Ouço falar em politização do Supremo desde que ali, por iniciativa dos seus próprios ministros, e não por inspiração dos presidentes que os nomearam, montou-se a barricada mais resistente à pretensão dos extremistas de direita de demolir a democracia entre nós. A democracia foi salva, mas segue inspirando cuidados.

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