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    Agência Brasília | Portal Viver Política


    Uma em cada dez mulheres no Brasil sofre com os sintomas da endometriose, informa o Ministério da Saúde. A doença é silenciosa e dolorosa, o que pode causar sérias dificuldades se não for diagnosticada e tratada. Para chamar a atenção sobre a doença, 7 de maio é o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose.

    Arte: Secretaria de Saúde

    De acordo com o coordenador do Serviço de Endometriose do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), o ginecologista Jean Pierre Barguil Brasileiro, a endometriose é observada em 50% a 80% das mulheres com dor pélvica e estima-se que até 30% a 50% tenham infertilidade.

    A doença é caracterizada pela presença de endométrio fora do útero. O endométrio reveste internamente a cavidade uterina e é renovado mensalmente por meio da descamação, durante o fluxo menstrual.

    Em algumas situações, o endométrio, em vez de ser eliminado, volta pelas trompas, alcança a cavidade pélvica e abdominal, gerando a endometriose. A doença pode acometer também os ovários, as tubas e outros órgãos, como o intestino e a bexiga. As células do endométrio, na pelve, vão funcionar de forma semelhante às que estão revestindo o útero. Isso quer dizer que elas vão menstruar também, e é essa menstruação no lugar errado que é responsável por grande parte dos sintomas da doença.


    “A anamnese e o exame físico são fundamentais na suspeita clínica juntamente com o auxílio de exames de imagem específicos, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética com protocolos especializados”
    Jean Pierre Barguil Brasileiro, coordenador do Serviço de Endometriose do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib)

    Sintomas

    O ginecologista explica que os principais sintomas são dismenorreia (cólica muito intensa), dor pélvica crônica ou dor acíclica, dispareunia de profundidade (dores durante a relação sexual), alterações intestinais cíclicas (distensão abdominal, sangramento nas fezes, constipação, disquezia e dor anal no período menstrual), alterações urinárias cíclicas (disúria, hematúria, polaciúria e urgência miccional no período menstrual) e infertilidade.

    O médico alerta que a mulher deve ficar atenta ao sentir cólicas fortes. “Sentir dor não é normal, principalmente se for um quadro progressivo, incapacitante, que não melhora com o uso de medicações e apresenta outros sintomas associados”. Jean Pierre Brasileiro reforça que a dor pélvica é o sintoma mais comum, mas não é um indicador específico de endometriose e sempre deve ser investigada.

    “A anamnese e o exame físico são fundamentais na suspeita clínica juntamente com o auxílio de exames de imagem específicos, como ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética com protocolos especializados”, afirma.

    Tratamento

    Ao desconfiar dos sintomas, a mulher deve ir à unidade básica de saúde (UBS) mais próxima da residência para consulta com ginecologista. Após avaliação, se for o caso, o médico encaminha para que a paciente entre na fila de regulação para ser acompanhada em hospital de referência. Esse encaminhamento também pode ocorrer em caso de consulta na emergência hospitalar.

    O médico destaca que a endometriose é uma doença crônica que requer tratamento por toda a vida. As decisões de tratamento são individualizadas, levando-se em consideração sempre a apresentação clínica, gravidade dos sintomas, extensão e localização da doença, desejo reprodutivo, idade, efeitos colaterais da medicação, taxas de complicações cirúrgicas, custo e o impacto da doença e do tratamento sobre a qualidade de vida.

    “O tratamento clínico da dor pélvica deve ser integrado a uma abordagem multidisciplinar que inclua nutrição, acupuntura, fisioterapia do assoalho pélvico, psicoterapia e uso de analgésicos”, aponta Brasileiro.

    O tratamento da infertilidade causada pela endometriose consiste na remoção cirúrgica do tecido endometriótico ou através das técnicas de reprodução assistida. A fertilização in vitro é o tratamento mais eficaz.

    *Com informações da Secretaria de Saúde



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