Em meio aos rumores sobre uma possível demissão do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro disse, nesta sexta-feira, 22, que tem “confiança absoluta” no ministro e que ele “entende as aflições que o governo passa”. Para o presidente, o chefe da equipe econômica fez um “brilhante trabalho” desde que assumiu o cargo, em 2019.

Ao lado do presidente, o ministro da Economia disse que não houve pedido de demissão. “Eu não pedi demissão. Em nenhum momento eu pedi demissão. Em nenhum momento o presidente insinuou qualquer coisa semelhante”, afirmou. E ainda completou: “Devo pedir demissão porque vamos gastar 30 bilhões de reais a mais? Estou servindo a fins eleitorais? Estou fazendo o que de errado?”

Bolsonaro afirmou que visitou Guedes no ministério “como é de praxe”, dando a entender que não houve uma crise para que ele fosse até lá. “De vez em quando, eu visito o ministro aqui no ministério”, disse. “Nos entendemos muito bem”, acrescentou o presidente.

Guedes afirmou que estava tudo certo para o aumento do Bolsa Família para um Auxílio Brasil de 300 reais, mas veio o “meteoro” dos precatórios, em valor bem acima do esperado para 2022 – 89,1 bilhões de reais. Além disso, a reforma do Imposto de Renda (IR), que financiaria o auxílio com a taxação dos dividendos, não avançou no Senado.

O ministro defendeu uma “linha do meio” entre a austeridade fiscal e o lado social. Segundo ele, não tem problema tirar “nota oito em fiscal”, em vez de dez, para atender os mais necessitados. “O presidente traçou a linha: vamos até 400 reais. Não são 600 que a ala política pode quer, mas também precisamos arrumar dinheiro extra”, disse.

Guedes voltou a dizer que será necessária uma “licença para gastar um pouco mais” para garantir esses 100 reais a mais no auxílio. Para ele, a economia brasileira é “forte e vigorosa o suficiente para segurar” o benefício. “Eu seguro isso. Não tenho problema com isso. Posso tirar 8 em fiscal, 7 em fiscal”, voltou a dizer.

“Não é nenhuma mudança no arcabouço fiscal. Poderia ter sido feito dentro das regras atuais, apenas dizendo o seguinte: preciso de uma licença para gastar mais 30 bilhões de reais, porque, em vez de 300 reais, que é o que cabia no teto, vão ser 400 reais. Basta isso”, disse o ministro.

Guedes explicou que o auxílio provavelmente seria de 300 reais, se a reforma do IR fosse aprovada. Mas, sem a fonte de custeio garantida pelo projeto, a opção passou a ser de um auxílio temporário e maior, financiado pelo aumento de arrecadação tributária.

“Quando não consegue aprovar o IR, o Auxílio Brasil fica sem fonte permanente. Não pode mais ser permanente. Então, você dá um aumento temporário. Sendo temporário, pode pegar aumento de arrecadação”, afirmou o ministro. Segundo ele, “a arrecadação está surpreendendo todo mês”.

“Está vindo acima de 200 bilhões. Gastar 20 bilhões ou 30 bilhões para dar para a população mais frágil é completamente possível”, defendeu Guedes. “A única coisa que vai acontecer é que, em vez de o déficit cair tão rápido, cai um pouco mais devagar, o que é compreensível em momento de dificuldade. A pandemia foi devastadora”, disse.