Único presidenciável a comparecer ao ato contra o presidente Jair Bolsonaro no Rio, o pedetista Ciro Gomes afirmou em discurso aos manifestantes que é preciso “tirar Arthur Lira da inércia” para fazer o impeachment avançar. O presidente da Câmara, deputado pelo Progressistas de Alagoas, nunca decidiu sobre os mais de cem pedidos de impedimento do chefe do Executivo que chegaram à Casa. Cabe a Lira decidir, monocraticamente, pela abertura – ou não – da ação por crime de responsabilidade.

  • Entenda como as decisões do Planalto, da Câmara e do Senado afetam seus investimentos. Assine a EXAME

“Precisamos tirar Arthur Lira da inércia. Isso só vai acontecer com luta, com nosso povo organizado, deixando nossas diferenças para depois”, disse no palco montado na Cinelândia, no centro da cidade.

Diante dele, havia um boneco inflável do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os dizeres “Lula livre”. O petista, que é líder das pesquisas de intenção de voto para presidente, tem sido alvo de críticas de Ciro. Mas não foi citado por ele neste sábado, 2. Quando o Estadão entrevistou o pedetista antes de subir ao palco, ele disse que o foco do dia é o combate a Bolsonaro.


Ciro defendeu uma ampla frente anti-Bolsonaro, com o centro e a “direita democrática”, e citou a crise econômica e social do País, “a maior da história”. Também citou a complexidade de um processo de impeachment, que tem caráter político.

“Impeachment não é remédio para governo ruim, para governo desastrado”, declarou na entrevista. “Impeachment é uma punição, prevista pelo estado de direito democrático, para o cometimento doloso, ou seja, de caso pensado, de crime de responsabilidade. O cometimento criminoso é jurídico, mas o julgamento é político. E, para julgar Bolsonaro, nós precisamos tirar o (Arthur) Lira da inércia.”


Além de Ciro, participaram do palco da manifestação os deputados federais Alessandro Molon e Marcelo Freixo, do PSB, Jandira Feghali, do PCdoB, Talíria Petrone, do PSOL, Benedita da Silva, do PT, e outras lideranças desses partidos. Eles pregam a união dos partidos para derrotar Bolsonaro. “Seja no impeachment ou nas eleições de 2022”, como afirmou Molon.

Pauta econômica

A pauta econômica e social aparece com mais força no Rio no ato de hoje. Faixas, cartazes e músicas entoadas pelos manifestantes engrossam o coro do “Fora Bolsonaro”, que saiu da Candelária e caminha até a Cinelândia, no Centro. “Tá tudo caro / Povo na rua e fora Bolsonaro”, diz uma das músicas.

Líder da Minoria na Câmara e pré-candidato ao governo do Rio pelo PSB, o deputado federal Marcelo Freixo citou uma foto publicada nesta semana pelo jornal carioca Extra que viralizou nas redes sociais. Ela mostrava pessoas muito pobres, em busca de comida, revirando despojos recolhidos por um caminhão em açougues.

“A imagem mais forte do governo Bolsonaro foi no Rio de Janeiro naquele caminhão de restos de osso, e as famílias catando para comer”, disse o parlamentar ao Estadão. “O Brasil não pode passar por isso. O Brasil é maior que Bolsonaro.”

O ato no Rio conta com bandeiras e outros objetos nas cores verde e amarela, como parte da tentativa da esquerda de se associar também a símbolos nacionais exibidos pelos bolsonaristas em suas manifestações.