Dois filhotes de onça-pintada e um de lobo-guará são os mais novos moradores do Zoológico de Brasília, após receberem a recomendação do programa de conservação da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os animais foram resgatados órfãos no estado do Mato Grosso (MT). Por meio do programa Avião Solidário, do Grupo Latam, foram transportados gratuitamente de Cuiabá/MT para Brasília/DF. Ao desembarcarem no aeroporto da capital federal, foram recebidos pela equipe de fauna do Aeroporto de Brasília e pela equipe técnica do Zoológico de Brasília na área de animais vivos do Terminal de Cargas.

Os animais foram resgatados órfãos no estado do Mato Grosso (MT). Por meio do programa Avião Solidário, do Grupo Latam, foram transportados gratuitamente de Cuiabá/MT para Brasília/DF | Fotos: Ivan Mattos / Zoo de Brasília   

Os filhotes de onça foram encontrados debilitados em uma propriedade rural particular de Juara (a 694 km de Cuiabá) por um funcionário da fazenda e encaminhados para a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), campus localizado no município de Sinop.

Na universidade, os animais foram acolhidos e atendidos pela equipe de medicina veterinária, que realizou exames e todos os cuidados iniciais necessários.

“Enquanto estiveram aqui conosco, em Sinop, nós realizamos uma bateria de exames. Fizemos a coleta de amostras biológicas, os exames laboratoriais e clínicos, a confirmação do peso e os exames complementares, como os de imagem. Eles têm entre 75 e 90 dias de vida e já era de se esperar que tivessem algum déficit nutricional, isso porque ficaram um tempo sem a assistência da mãe. Imediatamente iniciamos o suporte terapêutico para reverter esse déficit e eles reagiram bem”, detalha a médica veterinária da UFMT, campus Sinop, Elaine Dione.

Na mesma semana, um filhote de lobo-guará foi resgatado órfão perto do município de Cáceres, no MT, em uma região de queimada. O animal foi encaminhado para o Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres da UFMT, em Cuiabá, que também realizou todos os exames para verificar queimaduras ou alguma possível alteração no pulmão.

Após receberem os primeiros cuidados, o Ibama, em parceria com a Azab, a UFMT e o ICMBio, definiu que a destinação ideal dos animais seria para o Zoológico de Brasília, dentro dos programas de conservação da onça-pintada e do lobo-guará, que traçam metas e objetivos para evitar que as espécies sejam extintas da natureza.

“Infelizmente, nesta época do ano, de seca, é frequente o resgate de filhotes órfãos, principalmente em áreas que sofrem com as queimadas. Nós, do Ibama, sempre priorizamos a soltura dos animais na natureza, mas, neste caso, eles foram encontrados bastante debilitados e dependentes de esforços humanos. Além disso, são duas espécies consideradas ameaçadas de extinção. Nos reunimos com o ICMBio, a Azab e a UFMT e definimos que, no momento, o Zoológico de Brasília fosse o local mais adequado para o desenvolvimento saudável desses filhotes”, explica o servidor e biólogo do Ibama Bruno Campos.

Após receberem os primeiros cuidados, o Ibama, em parceria com a Azab, a UFMT e o ICMBio, definiu que a destinação ideal dos animais seria para o Zoológico de Brasília, dentro dos programas de conservação da onça-pintada e do lobo-guará, que traçam metas e objetivos para evitar que as espécies sejam extintas da natureza

Durante a quarentena no Zoológico de Brasília, os animais contam com um recinto de adaptação ambientado de acordo com a espécie, com o objetivo de garantir o bem-estar e a saúde dos indivíduos.

A equipe de biólogos, veterinários, zootecnistas e tratadores do Zoológico monitora o desenvolvimento físico e comportamental de cada animal, com o acompanhamento diário.

“O Zoológico de Brasília recebeu esses animais dentro do programa nacional para a conservação da espécie e isso é uma responsabilidade grande e um dever de todo zoológico com a filosofia moderna. A ideia inicial é que eles se desenvolvam com saúde e estejam aptos a colaborarem com a conservação de sua espécie, seja aqui no Zoo de Brasília ou em outra instituição, sempre seguindo as orientações dos especialistas do programa”, detalha o biólogo e diretor de mamíferos do Zoológico de Brasília, Filipe Reis.

O público pode fazer parte da história desses animais. A votação dos nomes ocorrerá em breve pelo Instagram do Zoológico de Brasília (@zoobrasilia).

* Com informações do Zoológico de Brasília