Pantanal: equipe do GDF narra tragédia

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Foto: Divulgação: Brasília Ambiental

Foto: Divulgação: Brasília Ambiental
O cenário encontrado era desolador. Os animais sobreviventes se depararam com um ambiente todo queimado, sem fonte de alimentação e de água | Foto: Divulgação/Brasília Ambiental

Quem acompanha o noticiário sobre a tragédia no Pantanal pode ter a impressão de que os grandes desafios da fauna da região foram sobreviver à seca e aos incêndios florestais. Integrante da equipe do Instituto Brasília Ambiental, que contribuiu durante 19 dias no cuidado com os animais vitimados, a auditora fiscal Karina Torres retornou recentemente do local e relata que essas duas questões são só o começo do problema.

A equipe composta por três auditores fiscais, uma analista ambiental e uma veterinária do Hospital Veterinário Público (Hvep), foi ao Pantanal, região de Poconé (MT)  em  23 de setembro. A missão atendeu a um pedido do Ibama. Eles se deslocaram em viaturas com quatro analistas do órgão ambiental federal.

Eles se locomoveram numa viatura com tração 4×4, porque as áreas queimadas são de difícil acesso. Segundo a auditora, nos primeiros dois dias, havia muito fogo na região da rodovia Transpantaneira, que liga a cidade de Poconé à localidade de Porto Jofre, na beira do Rio Cuiabá, divisa dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“Os animais que conseguiam sobreviver ao fogo perdiam a noção do seu território, da área de forrageamento, e fugindo do fogo, em busca de novas áreas, aumentaram o trânsito nas estradas”
Karina Torres, auditora fiscal do Brasília Ambiental

A principal ocupação da equipe foi a busca de possíveis animais queimados. “Nosso trabalho foi, principalmente, o manejo de fauna, seja de forma direta ou indireta”, ressalta, esclarecendo que qualquer um dos dois tipos de manejo depende de autorização, que estava sendo dada pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso.

Durante essas ações, a equipe percebeu que muitos dos animais, que não morreram tendo como causa direta a maior seca do Pantanal dos últimos 20 anos – segundo os pantaneiros – , ou a maior queimada ocorrida na região, corriam o risco de perder suas vidas de outra forma.

“Os animais que conseguiam sobreviver ao fogo perdiam a noção do seu território, da área de forrageamento [de busca e exploração de recursos alimentares], e fugindo do fogo, em busca de novas áreas, aumentaram o trânsito nas estradas. Aí, nos deparamos com outra tragédia, os atropelamentos. Lá, pegávamos animais queimados, outros debilitados e muitos atropelados”, comenta Karina.

O cenário encontrado era desolador. Os animais sobreviventes se depararam com um ambiente todo queimado, sem fonte de alimentação e de água. E uma possível fonte de água aos animais da região que são os corixos – pequenos rios normalmente perenes que aparecem durante a estiagem, onde os animais costumam buscar água nesta época – estavam lamacentos e/ou contaminados com as bactérias de carcaças de animais que conseguiram alcançá-los, mas que morreram atolados na lama, provavelmente devido ao cansaço.

Segundo Karina as equipes técnicas avaliaram os corixos para decidir o que seria melhor: colocar água e reforçá-los, ou colocar cochos cheios de água. Ela ressalta a importância da intervenção de manejo de fauna indireta, que é a avaliação dos locais em que mais se concentram os animais e a colocação, nesses locais, de comida e de água.

No trabalho de manejo direto a equipe partia para a busca ativa dos animais, verificando se estavam queimados ou debilitados, além de fazer o monitoramento. A equipe tomava a decisão técnica de captura ou não de determinado animal, sempre priorizando a menor intervenção possível. “Capturar um animal que já está debilitado aumenta bastante o estresse desse animal. Normalmente a captura é uma última opção”, esclarece.

Infraestrutura

Uma das inovações percebidas no Pantanal foi a montagem de um Sistema de Comando de Incidentes (SCI) especificamente para o resgate da fauna, além do SCI para o controle das queimadas. “Além disso, está montado no início da Transpantaneira, o que eles chamam de PAEAs, que é o Posto de Atendimento Emergencial a Animais Silvestres. O do início da Transpantaneira é o central. Mas existem outros quatro dentro de Mato Grosso, próximos a outras áreas que também estão sofrendo com os incêndios”, conta Karina.

O PAEAs funciona com veterinários voluntários, está equipado e em condições de realizar pequenas cirurgias. Os animais encontrados em situação mais crítica são encaminhados à Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, principalmente os de grande porte como onças e antas.

A maior parte da infraestrutura organizada para socorrer os animais é custeada por Organizações Não Governamentais (ONGs). “Tanto o PAEAs quanto os SCIs estão sendo mantidos pelas ONGs, que viabilizam desde a alimentação para os voluntários e animais até o combustível para os carros e caminhões-pipas. Elas estão ajudando bastante nesse processo”, destaca a auditora.

Karina não tem ainda a lista de todos os animais dos quais a equipe do Brasília Ambiental participou de alguma forma do resgate. Mas cita os que lhe vem à memória: “Duas onças, quatro antas, dois tamanduás-bandeira, macacos-prego, veados, queixadas, lontras, um tuiuiú – a ave-símbolo do Pantanal – e mãos-pelada, entre outros”, conta. “Uma das onças resgatadas foi tratada e deve voltar à natureza na próxima semana”, disse.

Além de Karina, que é bióloga, fizeram parte da equipe os também auditores fiscais Thassia Ribeiro Santiago (advogada), Gilmar Antônio Silveira Filho (biólogo e médico veterinário), o analista Eduardo Discaciate Gomes (geólogo) e a veterinária especialista em animais silvestres Paula Cesário.

* Com informações do Brasília Ambiental



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