Após polêmica, iniciativa de Magazine Luiza para recrutar trainees negros vira alvo de ação

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SÃO PAULO, 6 Out (Reuters) – Uma tentativa de uma das maiores varejistas do Brasil de combater disparidades raciais em cargos gerenciais desencadeou uma ação civil pública por parte da Defensoria Pública da União acusando a empresa de discriminação, com pedido de pagamento de indenização no valor de 10 milhões de reais.

O Magazine Luiza (MGLU3) lançou no mês passado um programa de trainees voltado exclusivamente para o recrutamento de negros, com o objetivo de aumentar a diversidade de seus quadros executivos, de acordo com a empresa.

A varejista está oferecendo um salário mensal de 6.600 reais, cerca de seis salários mínimos do país, além de benefícios como seguro saúde e odontológico, para um máximo de 20 candidatos que concluíram o ensino superior entre 2017 e 2020.

Mas o defensor público Jovino Bento Junior disse que a varejista estaria realizando “seleção exclusivamente baseada na cor da pele” e que isso seria discriminatório, segundo documento de 28 de setembro, no qual propõe ação contra a empresa.

“Nada justifica juridicamente a discriminação promovida, sendo certo que existem outros meios de promover direitos sociais e de inclusão racial, com o menor prejuízo aos demais trabalhadores”, afirmou o defensor no documento.

Bento expressou preocupação de que outras empresas possam seguir o exemplo do Magazine Luiza, “limitando fortemente o acesso a trabalho e renda” para candidatos não pertencentes a minorias, acrescentou, acusando a empresa de ser focada em “marketing corporativo”.

Um grupo reunindo outros 11 defensores públicos focados em questões étnicas e raciais, porém, manifestou repúdio à ação, e a Defensoria Pública da União defendeu, em nota oficial, medidas do poder público e da iniciativa privada que proporcionem redução de carências e de vulnerabilidade. Ressaltou, no entanto, que defende, de forma intransigente, a independência funcional de seus membros.

O Magazine Luiza não quis comentar o assunto.

Na segunda-feira, a fundadora e presidente da rede, Luiza Trajano, disse em entrevista à TV Cultura que lançou o programa de trainees depois de perceber que a liderança da empresa era largamente composta por brasileiros brancos.

“O Brasil teve uma escravidão de 350 anos, a maioria é de negros, a maioria na periferia. Essa é a real, então, não entram naquilo [no processo]”, disse. “Quando entendi o que é racismo estrutural, até chorei.”

Questões raciais raramente provocam no Brasil grandes manifestações populares como tem acontecido nos Estados Unidos, embora, este ano, várias cidades do país tenham registrado manifestações na esteira da morte do norte-americano George Floyd pela polícia.

As estatísticas brasileiras mostram amplos sinais de discriminação. A grande população negra do país está sub-representada no mercado de trabalho, já que os negros ganham cerca de 56% da remuneração dos brancos, de acordo com o IBGE.

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