RS: Governo ignora apelo da comunidade escolar e convoca

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Apesar de meses de tentativas de diálogo dos trabalhadores e trabalhadoras da educação com o governo Eduardo Leite (PSDB), com o objetivo de levar ao Executivo a inviabilidade do retorno das aulas presenciais no estado, a Secretaria da Educação (Seduc) convocou os profissionais do Ensino Médio e Ensino Técnico para o retorno nesta segunda-feira (05). Educadores e representantes de escolas têm reiterado as diversas carências das instituições de ensino, como problemas de infraestrutura, ausência de testagem para covid-19, falta de professores e alto contingente de profissionais que pertencem ao grupo de risco.

Uma pesquisa com a comunidade escolar do estado, realizada pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS – Sindicato) e consolidada pelo Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), levantou uma série de questões sobre as condições de trabalho durante a pandemia. Os dados mostram que pelo menos 142 escolas tiveram educadores contaminados pela covid-19, somente na realização de plantões para entrega de atividades para pais e alunos.

Conforme o governo, o retorno nesta segunda-feira é em regime de plantão, em revezamento e escalonamento, cumprindo os protocolos do distanciamento social controlado. Durante o período, devem ser realizadas ações de organização das equipes, adaptação dos ambientes frente aos protocolos, alinhamento pedagógico ao modelo híbrido de ensino, entre outras iniciativas. O retorno dos alunos estava previsto para o dia 13 de outubro, mas foi adiado para o dia 20.

Segundo a Seduc, a compra dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) e dos materiais de desinfecção foi concluída e a entrega será realizada antes do retorno das aulas presenciais. O governador Eduardo Leite tem declarado reiteradamente que já é momento da retomada das aulas, atitude duramente criticada pela comunidade escolar.

Comunidade escolar discorda

A pesquisa realizada pelo CPERS revela que mais de 90% dos entrevistados afirmam que as escolas não têm recursos adequados para um retorno seguro. O mesmo percentual é observado entre os pertencentes das equipes diretivas das escolas, que afirmam não haver recursos suficientes para investir em estrutura para receber alunos e adquirir os EPIs necessários. Além disso, mais de 80% dos entrevistados declaram não haver um número adequado de profissionais de limpeza nas escolas. Entre os funcionários entrevistados, mais da metade declara não haver sequer material de limpeza suficiente para a correta desinfecção dos espaços.

Na tarde da última sexta-feira (2), cerca de 60 diretores e diretoras de escolas do estado realizaram coletiva de imprensa no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, para marcar posição contrária ao retorno das aulas presenciais. Segundo o diretor do CPERS, Daniel Damiani, os professores vêm enfrentando grandes dificuldades no trabalho remoto, como falta de tecnologia mínima necessária e excesso de trabalho. Mesmo assim, não querem retornar às aulas presenciais, temendo o risco de exposição ao vírus. Segundo ele, o não retorno tenta evitar uma tragédia: “Não queremos ser cobaias desse experimento genocida que o governo está conduzindo”.

Em entrevista ao Brasil de Fato RS, também na sexta-feira, o infectologista e consultor da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), Ronaldo Hallal, afirmou que o retorno das atividades escolares traz riscos. Ele destacou que, ao contrário do senso comum, há casos de doença mais grave em crianças e jovens. “Aqui no estado mesmo, em torno de 30 mil casos envolveram jovens de até 19 anos de idade. Não é a população que tem mais risco de doença grave, mas existem alguns casos em que isso ocorre, inclusive morte”.

Risco de surtos de covid

Segundo Hallal, as crianças e jovens podem ter um papel importante na transmissão da doença. “Eles podem portar o vírus, com sintomas muito leves ou nenhum sintoma, portarem uma quantidade de vírus suficiente para transmitir para outras pessoas, como os professores, como a comunidade escolar envolvida nas atividades. Boa parte das crianças, especialmente aquelas de mais baixa renda, vivem com populações de risco, pessoas idosas, portadoras de doença. Com essas de baixa renda, que vivem em habitações com densidade demográfica elevada, corre-se o risco portanto de ocorrer transmissão para adultos, em maior risco, a partir das crianças”, ressaltou.

O infectologista lembrou que existem surtos bem documentados nos Estados Unidos, Israel, em alguns locais na França, surtos envolvendo crianças e a comunidade escolar. “A Organização Mundial da Saúde recomenda que para o retorno de atividades presenciais exista baixa taxa de transmissão comunitária, inexistência de surtos, elevada capacidade de testagem e de isolamento. Não é o caso que nós estamos vivendo no estado e em Porto Alegre”, afirmou.

O CPERS convocou a categoria para, nesta quinta-feira (08), discutir e deliberar as estratégias de luta e resistência em Assembleia Geral.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira



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