Movimentos realizam campanha por justiça e reparação

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No marco da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas, diversas organizações sociais no Haiti realizam uma campanha para exigir justiça e reparação para as vítimas da cólera no país, após 10 anos das consequências deixadas pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah).

A tragédia deixada pela missão da ONU, comandada pelo Exército brasileiro, ainda é sentida no país caribenho, com milhares de vítimas de uma epidemia de cólera – levada ao país através de soldados da missão –, da pobreza e miséria, além da justiça frustrada e a instabilidade política que constituem o Haiti de hoje.

Nesse sentido, diferentes organizações e movimentos populares, como a Plataforma Haitiana por um Desenvolvimento Alternativo (PAPDA), iniciaram uma campanha para coletar assinaturas depoimentos e responder a um questionário lançado mundialmente pelas Nações Unidas com o objetivo de receber comentários sobre o funcionamento da entidade.

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As organizações haitianas pedem solidariedade internacional para responder ao questionário. Elas recomendam que os apoiadores da campanha respondam ao questionário, escrevendo na opção “Outro, por favor especifique” as seguintes denúncias e pedidos:

– Reparação do Haiti pela epidemia de cólera;

– A ONU deve fazer reparações às vítimas da cólera haitiana;

– A Minustah matou 10 mil haitianos por cólera;

– 800 mil haitianos foram contaminados pela cólera e não foram indenizados;

– Justiça para mulheres e jovens que foram estupradas por soldados da Minustah no Haiti;

– Justiça para mulheres haitianas deixadas sozinhas com crianças abandonadas por soldados da Minustah;

– Justiça e reparação para o Haiti;

– Não queremos ocupação ou intervenção militar.

De acordo com as organizações, elas esperam coletar 100 mil assinaturas para pedir reparações para as vítimas da cólera.

Na próxima sexta-feira (09), os movimentos que compõem a campanha realizarão um Tribunal Popular no Haiti para julgar os crimes da Minustah durante os 15 anos de ocupação militar (2004-2019), sob o lema “Nações Unidas, já se passaram 10 anos de cólera da Minustah sem indenização nem reparação!”.

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Em 2004, soldados brasileiros desembarcaram no Haiti para liderar tropas de diversas nações para a missão no país. Durante a suposta ação humanitárias, foram cometidas graves violações dos direitos humanos que até hoje permanecem sem justiça. As tropas brasileiras deixaram o território haitiano em 2017, após 13 anos.

A ação da Minustah deixou um legado de mais de 30 mil mortos, em decorrência da cólera, no país caribenho, além de mais de 2 mil vítimas de abusos sexuais, entre outras violências.

*Com informações da Brigada Dessalines no Haiti.

Edição: Luiza Mançano



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