BdF Explica | Como estão as vacinas para a covid-19?

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Já se passaram mais de sete meses desde a confirmação do primeiro caso do Novo Coronavírus no Brasil. A “normalidade” das nossas atividades só retornará depois que todos nós estivermos imunizados. Mas o Brasil enfrentará ainda outros desafios, além do desenvolvimento científico da vacina: desafios sociais, econômicos e de gestão. 

Nesta semana o BdF Explica em que pé estão as vacinas no mundo. E também quais são os desafios postos no Brasil de Bolsonaro.

 

No mundo existem mais de 160 vacinas contra a covid-19 sendo desenvolvidas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS. Mais de vinte delas já estão sendo testadas em pessoas, e oito estão em sua terceira e última fase de testes. 

Rússia

Alguns analistas têm comparado a corrida para a fórmula eficaz da vacina, à corrida espacial. A Rússia saiu na frente e em agosto anunciou o registro da primeira vacina, a Sputnik V. Apesar de ter sido criticada por ter feito esse registro antes da conclusão dos testes, pesquisa publicada em uma das maiores revistas científicas do mundo, a The Lancet, mostrou que a vacina russa apresenta respostas imunes e não tem efeitos adversos. A vacina começará a ser testada aqui no Brasil após um acordo entre o governador da Bahia, Rui Costa (PT-BA), e o governo russo. 

Reino Unido

Outra vacina que tem ganhado os noticiários é a britânica Oxford, produzida pelo laboratório AstraZeneca e pela Universidade britânica de Oxford. Na terceira e última fase de testes em humanos no Brasil e em outros países,  ela deu um susto em todos no início de setembro ao ser paralisada após reações adversas. Mas já voltou a ser testada. 

China

Outras vacinas que estão em fases avançadas de estudos, são as chinesas Sinovac, da empresa CoronaVac com a qual o Instituto Butantan, em São Paulo, realizou parceria; a Sinopharm, da farmacêutica estatal chinesa, que firmou acordo com o governo do Paraná para testar a vacina em profissionais da saúde do Estado; e ainda a CanSino, feita em parceria com a Academia de Ciências Médicas Militares da China.

Já a BioNtech-Pfizer-Fosun, fruto de uma colaboração entre a empresa chinesa Fosun Pharma, alemã BioNTech e a norte americana Pfizer, entrou para os noticiários depois de Trump comprar 100 milhões de doses por US$ 1,9 bilhão. 

EUA

 

Os Estados Unidos entram na corrida com a Moderna, desenvolvida por empresa do mesmo nome, mas com quase US$ 1 bilhão de recursos do governo estadunidense investidos na pesquisa; e a vacina da gigante farmacêutica Johnson & Johnson, que também será testada no Brasil.

 

Desafios para o Brasil

No Brasil de Bolsonaro, ainda teremos outros desafios. Desde o início da pandemia, a falta de gestão de Bolsonaro, e inclusive o seu posicionamento contrário às medidas de saúde recomendadas, teve consequências drásticas para o país. 

Até o fechamento desta edição, já eram 145.985 mortos pelo vírus no Brasil. Com a ausência do governo federal, que chegou a ficar 4 meses sem ministro da Saúde em meio a crise sanitária, os governadores e prefeitos tomam a frente desta batalha. O que pode gerar desigualdade entre as respostas em diferentes regiões do país. 

Por exemplo, de acordo com o deputado federal e ex-ministro Alexandre Padilha, 9 milhões de kits de testes para covid estavam parados no ministério no mês de setembro. 

Ou seja, especialistas da saúde denunciam que uma vez que o Brasil tenha acesso a vacina, enfrentará grande dificuldade na sua distribuição. Outro desafio será o enfrentamento às grandes farmacêuticas. Caso elas tenham o monopólio da venda e da distribuição, corremos o risco de não termos vacina, já que elas poderiam escolher para vender, como aconteceu com Trump; ou de colocarem preços tão abusivos que inviabilizaria a compra. 

Monopólio

Na Câmara, um projeto de lei tenta proteger a população deste monopólio e garantir a vacina para todos. O Projeto de Lei 1320/20, do deputado Alexandre Padilha (PT-SP), altera a Lei de Propriedade Intelectual.  Com base na declaração de emergência de saúde pública da Organização Mundial de Saúde (OMS), declara a quebra automática de patentes para enfrentar a emergência específica como vacinas, medicamentos e diagnósticos. 

Economia 

Outro desafio que o Brasil enfrentará é o econômico. O orçamento da Saúde, enviado por Bolsonaro e Guedes, tira R$ 35 bilhões do setor no próximo ano, isso porque o governo colocaria um fim a regra do orçamento emergencial para enfrentamento à pandemia.  

Atenção Básica e política de vacinação 

O governo vem desmontando a política de vacinação no Brasil, que sempre foi referência mundial. De acordo com o próprio ministério da Saúde, pela primeira vez no século, o país não atingiu a meta de vacinação em crianças de até um ano em nenhuma das principais vacinas. 

Para especialistas, esse resultado é fruto do desmonte da atenção primária da saúde, mas também de pronunciamentos do próprio presidente contra a vacinação. Pesquisa do Ibope de agosto mostrou que um quarto dos brasileiros resiste à ideia de tomar vacina da covid-19.

A não vacinação da população poderia gerar graves consequências à saúde pública. Para médicos sanitaristas o governo deveria fazer uma ampla campanha da importância da vacinação, e não incentivando a não vacinação, que em alguns casos, como nas crianças é, inclusive, ilegal.

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho



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