Agentes de penitenciária na grande Curitiba temem coronavírus

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Agentes de penitenciária na grande Curitiba temem coronavírus
Agentes de penitenciária na grande Curitiba temem coronavírus

Em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, agentes penitenciários temem o aumento repentino de casos de coronavírus na Penitenciária Estadual Piraquara I. No último fim de semana, 15 servidores foram afastados por apresentarem positivo para a doença. Além disso, dois presos também foram confirmados com coronavírus e outros seis apresentaram sintomas nesta semana.

“Estamos próximos de presenciar uma tragédia humanitária”, afirma o presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Paraná, Ricardo de Carvalho Miranda. Segundo ele, as atuais condições da penitenciária, que abriga em média nove presos em cada cela, impossibilita o isolamento social e facilita a propagação da doença.

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Segundo Miranda, seis outros presos que ficam na mesma cela dos outros dois confirmados estão com sintomas suspeitos. “Ficam nove presos em cada cubículo, numa galeria com 10 cubículos, num total de 90 presos na galeria”, explica. De acordo com o presidente do sindicato, as alimentações acontecem dentro das galerias, com presos entregando as refeições e remédios em cada cubículo.

Com espaço reduzido, o distanciamento social é inviável na penitenciária, elevando muito o risco de transmissão. “É um ambiente pequeno e eles tem contato direto com outros presos”, alerta o presidente do sindicato.

Diante da situação, os servidores temem não só uma crise humanitária, mas também a possibilidade de motins e rebeliões. “Os presos já estão ficando tensos com a situação. Como estão sendo infectados, há um risco muito grande da doença se espalhar rapidamente”, alerta o presidente. Atualmente, a penitenciária conta com aproximadamente 700 detentos.

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Servidores infectados

Nesta terça-feira, 31 servidores estavam com a suspeita da doença e 15 agentes penitenciários foram afastados por receber a confirmação da infecção por coronavírus. “A escala de trabalho foi feita no sábado, com 13 servidores, mas hoje de manhã dois não compareceram após apresentarem sintomas na folga do plantão”, explica Miranda.

Com equipe reduzida, o sindicato faz um apelo ao governo do estado, para que se contratem emergencialmente novos servidores, façam testagem em massa, além de medidas urgentes para conter a disseminação da doença nos presídios.

Entre os funcionários infectados, um caso chamou a atenção e preocupa quem trabalha na penitenciária. Um dos agentes penitenciários que testou positivo para covid-19 passou a doença para a família. A esposa e o pai desse servidor acabou falecendo em consequência da infecção. “Está todo mundo tenso. O principal medo é levar a doença para dentro de casa. Ir para o plantão e levar o coronavírus para a família”, lamenta o presidente do sindicato.

Com a alta de casos entre os trabalhadores, o sindicato da categoria pede ao governo do estado para que tome providências. “Pedimos ao governo que pague um hotel aos servidores, ou que pague promoção para que os servidores possam utilizar para pagar um hotel ou alugar uma casa, para evitar de levar a doença para a família”, sugere Miranda.

Impossibilidade de progressões e promoções

O pedido por promoção feito pelo servidores da Penitenciária Estadual de Piraquara I não poderá ser atendido pelo governo do estado. Um decreto assinado pelo governador Ratinho Junior em março determinou a suspensão das concessões de progressões e promoções de servidores públicos já autorizadas e ainda não implantadas. O decreto faz parte das medidas adotadas para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus no Paraná.

A reportagem da Tribuna aguarda resposta da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) e do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) sobre a situação dos casos de coronavírus entre os agentes penitenciários e presos do Presídio Estadual Piraquara I.

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